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Sábado, 31 de Dezembro de 2011

NOVO BLOGUE

Meus caros amigos,
A "A Beiça" encerra aqui o seu ciclo. Como em tudo na vida, teve os seus momentos altos e outros menos bons. Foi uma boa companheira para mim durante alguns anos. Pelos amigos que trouxe à minha vida, aqui deixo o meu obrigado. Adeus.

Não posso deixar de agradecer a todos os amigos (nos amigos estão, obviamente, englobados os leitores) que me acompanharam, colaboraram e me deram ânimo com os seus comentários. Um xi-coração para todos vós. 

O MEU DÓI-DÓI é o meu novo blogue, que arrancará no próximo dia 2 de Janeiro. A sua marca será o comentário irreverente, com uma pitada de acidez, sobre a actualidade política, social ou outra que me der na gana. Desde já o meu agradecimento a todos aqueles que continuarem a privilegiar-me com a sua companhia.

Para aceder à minha nova casa vá por  www.omeudoidoi.blogs.sapo.pt

ATÉ BREVE


Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011



Não querendo passar por um tipo herege nem maçar os meus leitores com os meus inócuos escritos nesta data festiva, a “A Beiça” encerra os escritórios até ao próximo ano.
A todos, inclui leitores amigos e inimigos, desejo um Bom Natal e um Ano Novo tão bom quanto possível.
Entretanto, deixo-vos com uma poesia lindíssima, penso que publicada pela primeira vez, escrita por um amigo recente.

MEU NATAL EM ALÉM TEJO

De Natal é a nossa Cultura
Inda flui nas nossas veias
É paz, afectos, ternura,
Sonhos de criança, brancura
E o conforto das nossas ceias.

De longe vêm os ausentes
Como à demanda do ninho
À vida se prendem os doentes
Lugar aos Idos, presentes
À mesa branca, de linho.

No convívio do serão
Torna a vida muito ao que era
Refaz-se o traço da união
Base-cúpula-construção
Num tempo sem primavera.

E quando o Sol nascer
Há mais terra lavrada.
Natal sempre...devia ser.
Quem semeia deve colher
Seja a semente lançada.

Meu Natal na minha aldeia
Entreajuda, fraternidade
Sã convivência que semeia
Paz que se eleva, campeia
Minha aldeia é uma Cidade!

               Diogo Proença
        Nora (Borba), Dez/2011

Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

REDAÇÃO

Eu gosto muito do apoio judicial. Ajuda os pobrezinhos, os advogados e, se calhar, até o bosão de Higgs, seja isso lá o que for. A senhora professora, desculpe  dizer-lhe esta coisa, foi muito mazinha em escolher um tema tão difícil para esta redação porque, a maioria das vezes, tenho a impressão que as leis não são escritas em português e por isso é que temos de recorrer a um tradutor que se chama advogado. Segundo o meu papá, elas também são perigosas porque «Fazem estas merdas cheias de alçapões» - ouvi-o dizer à mamã. Deve ser por isso que os hospitais estão cheios. As pessoas devem cair muito nos alçapões e partem-se todas. Mas, voltando ao tal apoio, o coitadinho deve estar muito doente porque, ontem, uma senhora foi à televisão dizer que foram detectadas uma data de irregularidades. Irregularidades? Será na pele? Pobrezinho. Não sei o que o meu paizinho quis dizer, num tom zangado, «Eu tratava-lhes das irregularidades era com pau de marmeleiro». O meu paizinho só costuma passar-se dos carretos quando se sente roubado, por isso não percebi nada daquilo. Deve ser por andar a trabalhar muito «Trabalho como um mouro e cada vez vejo menos dinheiro ao fim do mês. É só sustentar pançudos a pão-de-ló!», diz ele esganiçadamente. Tadinho dele. Desconfio que também anda irregular e a passar por uma crise. Ao papá quiducho e aos senhores advogados irregulares as melhoras cá do Fernandinho.

Domingo, 11 de Dezembro de 2011

IRAS



Presumo, com alguma certeza, que já os papagaios mal acomodados da Arca de Noé diziam que ”A vida não é justa”.
Vem isto a propósito da frase «A ira de Deus sobre os fornicadores», que acabo de ler no livro que me ampara neste fim-de-semana frio e chuvoso.
Olho para os fornicadores oficiais dos povos, para a sua opulência, para os seus luxos, para as suas dispendiosas amantes, para o seu poder e atrevo-me a murmurar entre dentes:
- Que raio de ira se abate sobre esta gente?

Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

FOI ASSIM QUE ME CONTARAM... (2)



Através de psicografia, recebi esta extraordinária estória enviada por um saudoso e distraído amigo, maianguista, em cujo epitáfio se lê um singelo  “Até Breve”. 


Estou estatelado no chão. Suponho que tropecei numa campa.
“Sou mesmo estúpido. Duas da manhã, vens para o cemitério e não trazes a porcaria de uma lanterna. E chove.”
Levanto-me penosamente. Tenho a roupa encharcada, manchada de lama. Flores e pequenos ramos partidos colam-se ao meu corpo. Alguns espinhos arranham-me a carne.
 “Se oiço uma voz borro-me. De certeza. Como é que meti nisto?”
Dou alguns passos. Quero sair dali. Já nem sei para que lado é a porta. Nem sequer sei se estou longe do muro. Zás! Dou uma cabeçada numa coisa dura.
“Deve ser um anjinho de pedra”
Óculos partidos. Sobrolho rachado. Começo a fraquejar.
 Porque não vieste mais cedo? Sempre devia andar gente por aí. E não choveu durante o dia.
Apetece-me urinar. Tento. Não sei se fiz dentro ou fora das calças.
“Que se lixe. Já estou todo molhado. E se fizeste para cima de uma campa? Que se lixe também. Com esta chuva não há reclamações. É tudo água. Só me faltava ouvir agora a voz de um gajo a reclamar.”
Foi aí que o gato miou e roçou-se nas minhas pernas. Olhei para baixo. Até as calças estavam brancas. Com o susto dei um pulo. Enorme. Caí longe. Não sei se duas ou três filas de pedra depois.
Corro loucamente. Caio. Levanto-me. Parto coisas. Umas de pedra, outras de vidro.
“Devo estar bonito”
Tenho sorte. Em vez de embater num muro vou dar ao portão. Ele é enorme. Alto, majestoso. Rendilhado a de arabescos de ferro e latão, de alto a baixo. Está fechado à chave. Tento esgueirar-me pelo espaço livre entre os arabescos. Não consigo. Pior, estou, literalmente, entalado. Tenho a cabeça e o ombro esquerdo do lado de fora do portão e o resto do corpo dentro do cemitério. Sinto arestas pontiagudas a pressionarem as costas.
“Se passa aqui alguém apanha um susto de morte”
Não quero acreditar. Está um tipo encostado, placidamente, ao magnífico
Arco de pedra trabalhada da entrada. Fuma e olha directamente para mim. Sem medo.
 “Sacana. Ali feito paspalho e não me dá uma ajuda”
Faço voz forte:
- Ó amigo, não me dá um cigarrinho?
- Não posso – diz o paspalho – só tenho mais um e está reservado para a minha namorada. Está a chegar.
Filho da mãe”
- Ela vem de longe?
Neste momento está mesmo atrás de si. Mora três campas antes da sua. È aquela que tem a jarra de flores amarela. Eu sou médium...
“Estou lixado. Morri. Como sempre só sei destas coisas por intermédio de terceiros”

Domingo, 4 de Dezembro de 2011

CÁ POR COISAS....


Se ainda tiver no baú algumas destas é colocá-las à mão de semear... 

Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

ORA TOMA LÁ, MEU CONCIDADÃO


Sem dignidade, sem opções, fragilizado, enfim todo eu encarno, em espírito, a figura do coitadinho. Pessoas de bom coração atiram-me, com alguma comiseração, um «deixe lá, é da crise. Andamos todos assim».
É da crise. Eu sei. Sinto na carteira e em outras intimidades. Ironicamente, ou não, pertenço ao restrito número – pelos vistos – que ainda compreende os sacrifícios que nos pedem. No meu pessimismo genético “vejo” que se não sairmos desta, já nem digo por cima, mas pelo menos pelo meio, ainda acabaremos por ter de adoptar outra cultura ou religião... estão a entender-me, não estão?
Voltando ao meu estado consternado, de coitadinho: a crise chateia-me mas o que me põe, em verdade, neste estado deplorável, é saber que os senhores que implantaram esta cleptocracia continuam a ser uns Senhores, imunes à justiça e nós, que os sustentamos, continuamos a andar por aí de punho no ar como uns idiotas. Ao menos que assentássemos os punhos em algo mais sólido e nos focinhos certos (prontos, com esta dos focinhos lá se foi a elegância do texto. Perdoem-me). 

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

COMO NA TROPA, SFF



Mulher põe o marido à venda na Internet



Tudo se vende na Internet. Desde modestos trapinhos a refinados trastes. A princípio ainda me interroguei como seria esta notícia no caso de um casal do mesmo sexo. De imediato lembrei-me dos termos “companheiro” e “parceiro” que, entre outros, desenrascariam o anúncio.
Depois desta reflexão, queridos leitores e amigos, já sabem: a partir de agora chamem-me camarada. Se faz favor.

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

COMPRADORES DE QUIMERAS


Às vezes dou comigo a pensar na habilidade dos vendedores. Vendem tudo. Até sonhos eles vendem. Frequentemente, é certo, os sonhos tornam-se em pesadelos horríveis como todos sabemos. Mas não interessa. É melhor sonhar que encarar a realidade. Esta semana vão ser vendidos muitos, disso, dos sonhos, com grandes cartazes e arengas sublimes. É preciso cuidado em comprar tantos sonhos assim, dizem os mais avisados. Principalmente, acrescentam, quando ainda não acordámos do tremendo pesadelo que nos atormenta neste momento.

Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

RECEBIDO POR E-MAIL



Mensagem recebida de um emigrante a viver no estrangeiro:

Se és um jovem português,
atravessa a fronteira do teu País e parte destemido
na procura de um futuro com Futuro

Porque no teu País
A Educação é como uma licenciatura tirada sem mérito e sem trabalho,
arquitectada por amigos docentes e abençoada numa manhã dominical

Porque no teu País
É mais importante a estatística dos números que a competência científica dos
alunos. O que interessa é encher as universidades, nem que seja de burros.

Porque no teu País
A corrupção faz parte do jogo onde os jogadores e os árbitros
são carne do mesmo osso e partilham o mesmo tempero

Porque no teu País
A justiça é ela própria uma injustiça porque serve quem é rico e influente
com leis democraticamente pobres

Porque no teu País
As prisões não são para os ladrões ricos porque os ricos não são ladrões
já que um desvio é diferente de um roubo

Porque no teu País
A Saúde é uma doença crónica onde, quem pouco tem
é sempre colocado na coluna da despesa

Porque no teu País
Se paga a quem nada faz e se taxa a quem pouco aufere

Porque no teu País
A incompetência política é definida como coragem patriótica

Porque no teu País
O mar apenas serve para tomar banho e pescar sardinhas

Porque no teu País
Um autarca condenado à prisão pela justiça pode continuar em funções em
liberdade passeando e assobiando de mãos nos bolsos

Porque no teu País
Os manuais escolares são pagos enquanto a frota automóvel dos políticos
é topo de gama

Porque no teu País
Há reformas de duzentos euros e acumulação de reformas de milhares deles

Porque no teu País
A universidade pública deixou cair a exigência e as licenciaturas na privada
tiram-se ao ritmo das chorudas mensalidades

Porque no teu País
Os governantes, na sua esmagadora maioria apenas possuem experiência
partidária que os conduz pelas veredas do "sim ao chefe"

Porque no teu País
O que é falso, é dito como verdade, sob Palavra de Honra!
São votos ganhos numa eleição

Porque no teu País
As falências são uma normalidade, o desemprego é galopante,
a criminalidade assusta, o limiar da pobreza é gritante
e a venda de Porsche e Ferrari ... aumenta

Porque no teu País
Há esquadras da polícia em tal estado onde os agentes se servem da
casa de banho dos cafés mais próximos

Porque no teu País
Se oferecem computadores nas escolas apenas para compor as estatísticas
do saber "faz de conta" em banda larga

Porque no teu País
Se os teus pais não forem ricos por mais que faças e labutes
pouco vales sem um cartão partidário

Porque no teu País
Os governantes não taxam os bancos porque, quando saírem do governo
serão eles que os empregam

Porque no teu País
És apenas mais um número onde o Primeiro-Ministro se chama Alice
que vive no País das Maravilhas mesmo ao lado do teu.

Foge !
E não olhes para trás !"


Fim de citação

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

TIVE UMA VISÃO

Para ser politicamente correto (chiça, escrever assim correcto é estranho), não sei se o homem é culpado ou inocente. Lá que aparece ligado, sempre, a casos que envolvem muitos e muitos milhões, aparece....
Que o escalpe do homem anda a ser exibido, como troféu, à cinta da comunicação social, anda.
Que há dois dias o pagode ouve, de traz para a frente e da frente para traz, a estória da compra dos terrenos, ouve. Já enjoa.

Apago o computador, a imagem da senhora pouco vestida agarrada ao varão de strip desvanece-se. Assalta-me a visão de um Duarte Lima, varão de madeira, carcomido por dezenas e dezenas de larvas que a ele se alapam e diligentemente o vão roendo.
Se calhar o homem merece. O telespectador também.

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

SÃO POBREZINHOS. COITADINHOS.



Dizem que prestam um grande serviço ao país e que, portanto, a sinecura é justa. Não duvido. O padeiro e o agricultor, entre muitos, muitos outros, também prestam o seu servicinho....
Dizem que é apenas uma permilagem insignificante sobre as custas. Cinco ou seis milhões por ano, pouca coisa.
A Ordem dos Advogados recebe do Estado, todos os anos, cinco ou seis milhões de euros, provenientes de uma permilagem sobre as “Custas”, impostas e recolhidas pelos Tribunais. Sabiam? Eu também não..

Olhai para as criancinhas das escolas. A esforçarem-se para aprender conceitos obsoletos. Como o da justiça, por exemplo.

Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

COISINHAS DOCES DE EMBALAR


"A economia portuguesa contraiu-se mais 0,4% no terceiro trimestre face ao segundo, o que levou a uma contracção em 1,7% do PIB face ao mesmo período de 2010. O país leva já um ano em recessão". (Público).

O negócio das almofadas está mau, seguramente.

Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

REMÉDIO SANTO :)



O Otelinho à presidência. Já! Depois quero ver se os tais “mercados” têm os “apetrechos” no local habitual para aparecer a reclamar o pagamento da nossa continha. Oh tens. 

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

UMA QUESTÃO DE FÉ... OU DE BIGODE

“O País à rasca” bem podia poupar uns trocos anulando, desde já, o julgamento do caso chamado “Face Oculta – embora já se tenha gasto uma pipa de massa em obras de melhoramento da sala das audiências.....
Eu explico:
Nenhum português, daqueles que ainda têm juízo e, sobretudo, que possuem memória, acredita que alguém venha a ser condenado e, muito menos, que os pecadores frequentem a tarimba.
Depois, há aquele advogado que já deixa uma pista sobre o desfecho da coisa, ao afirmar aos quatro ventos que «é inadmissível julgamento do “Face Oculta” sem escutas de Sócrates».
Meu amigo, como sabes, porque já viste o filme muitas vezes, há sempre um “inadmissível” que espera por ti. Principalmente se fores “grandinho”.
Se estiver enganado, prometo aos meus leitores que rapo o bigode do senhor da camisola verde da fotografia lá de cima....



Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

HOJE APETECE-ME SER MAUZINHO


Parece, pelo sim pelo não repito o parece (nada é certo nos tempos que correm) que o referendo, daqueles tipos que estão pior que nós, foi atirado para as calendas gregas.
Parece, repito o parece, pela razão já aduzida, que aquela imagem, horrorosa, cruciante, que se instalou na mente colectiva, onde se vêm aquelas mãos fechadas; aqueles punhos cerrados donde já não sai nem um milhãozito, nem para pagar salários, está a fazer o seu caminho. Não há dúvida que há imagens que nos trazem muita clarividência e bom senso. Pelo menos parece.

Ainda bem que ainda não passou pela cabeça dos que vão meter dinheiro na Grécia exigir, agora, que se faça, mesmo, o referendo. Têm, assim,  muita sorte. Mas como nada é certo nos tempos que correm...

Ainda bem que, por cá, ainda não passou pela cabeça de ninguém atrasar os salários da função pública (nos privados já acontece há muitos anos) apenas por uns dias. Tenho a impressão que os níveis nacionais de humidade, nas testas, iam disparar qualquer coisinha, assim como a clarividência e o bom senso. Não sei se isso vai acontecer. Mas como nada é certo nos tempos que correm...
(www.abeica.blogspot.com)

Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

O BOLETIM METEOROLÓGICO NÃO É FAVORÁVEL



Estou curioso. Papandreou  abriu a boca e com uma singela ameaça de referendo pôs os mercados a roer as unhas. O que é mau. Porque quando os mercados e os poderosos começam a roer as unhas, nós, os que andamos cá por baixo, estamos claramente lixados.
Já agora quero ver a fibra dos gregos. Se optam pela “liberdade”, lisos, mas livres ou, se há última da hora, optam pela canga mas com uns euros no bolso.
Era bom. Se as coisas fossem assim simples. Ou A ou B. Contudo, o guião parece-me que inclui muitas mais histórias. Feias. Quase todas.

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

QUE SERIA DELES SEM A NOSSA CONTRIBUIÇÃO?


Veio-me à memória outra lista. A de Schindler. Claro que esta não tem nada a ver com a presente. A das Subvenções Vitalícias. Mas, o que é que querem? Ao ver as caras de sofrimento e ao saber das privações por que passaram e passam os subvencionados vitalícios, não pude evitar de pensar na outra, na dos judeus.  Coisas diferentes, eu sei.
Vá lá, vá lá, que fico com o coração a transbordar de amor e felicidade ao pensar que ajudo cerca de 400 desgraçados a terem um nível de vida melhor.
Oiço-me em choro ciciado.

Sábado, 22 de Outubro de 2011

MORALIDADES...


Miguel Macedo declarou duas residências, uma em Braga e outra em Algés

"Ministro recebe subsídio apesar de passar a semana em casa própria na capital" (na imprensa)



Parece que é legal. É, no entanto, imoral.

Os senhores políticos, cinicamente, porque detêm o poder de modelar a lei, tornam muitas imoralidades em coisas legais. Especialmente quando sabem que vão ser os felizes destinatários da imoralidade tornada legal.

Os tempos andam conturbados. É prudente banirem de vez essas práticas...

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

INDIGNAÇÕES


Estava eu no meu cantinho, a fazer a minha rendinha, quando fui assaltado por uma vaga de pensamentos soltos, a propósito da crise. Resolvi dar-vos conta desses pensamentos.

Sorri, levemente, sem tirar os olhos das agulhas, ao lembrar-me como me indignei, vezes sem conta, na coluna desta beiçola, contra o despesismo reinante no tempo dos outros senhores governantes. Nessa linha de indignação não estive sozinho: uma minoria de maluquinhos acompanhou-me, utilizando outros caminhos e outros meios.

Sorri ainda, picando-me nas agulhas, ao pensar nos maluquinhos da indignação actual. Andaram a dormir (compreendam, para esses tive de arranjar uma desculpa leve como esta) e ainda não acordaram. Talvez, por estarem estremunhados, desatam, agora, a dar tiros nos próprios pés. Nunca conseguem atirar ao alvo certo. Coitados.

Chorei, quase convulsivamente, quase espetando uma agulha na cabeça, ao ver a miséria a que a soneca prolongada nos conduziu. Devíamos ter despertado, há uns anitos, quando um tipo sorridente, fazendo um amplo gesto com os braços, nos disse:
- O país está de tanga....

Faço uma careta de medo, ao pensar que estes indignados podem vir a mandar no país outra vez. Eu, que já não tenho idade para emigrar...
(BLOGUE A BEIÇA)

Sábado, 15 de Outubro de 2011

ISTO AINDA VAI DAR UMA MANIF DE PROTESTO


«GOVERNO PROÍBE POLÍTICOS DE RECEBEREM AVENÇAS NA RTP»

Eu, a custo, ainda engulo ficar sem o subsídio de natal e o subsídio de férias. Mas esta não. É uma estocada quase fatal.
Os únicos programas da RTP que me punham a soltar umas boas gargalhadas vão perder os melhores artistas. Isto é muito azar junto.
Vá lá que os pobres estão a salvo de um treco monetário. Ainda têm as aulas nas universidades, os escritórios de advocacia, outros escritórios igualmente com ar condicionado, comissões disto e daquilo, enfim, fico bem comigo mesmo por saber que eles ainda vão ganhando para a migalha...

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

PARA NÓS, COMO SEMPRE, AS COISAS SÃO CLARAS...

Os inocentes e coitadinhos tubarões milionários dos Estados Unidos estão a ser alvo da fúria dos “indignados” do movimento “ocupar Wall Srtreet”.
Digo inocentes e coitadinhos em comparação ao que se passa por cá.
Os nossos, os que nos puseram no actual estado de penúria, estão descansadinhos e ainda têm tempo de mandar uns bitaites ao povoléu.
Preferimos canalizar a nossa raiva para os que, neste momento, tentam endireitar o país, não sei se da melhor forma, mas certamente fazendo aquilo que podem e sabem. Estes americanos têm muito que aprender...

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

ESTOU DE PÉ ATRÁS COMIGO MESMO

É que no Sábado passado troquei uns acesos considerandos e uns estuantes bitaites com o meu espelho do lavatório. Quem ganharia as eleições na Madeira? Atendendo aos sacrifícios que esperam o Zé Madeirense, ao jogo de cintura do malvado Jardim, causador da grande desgraça e às propostas de colocar o grande capital, o papa, os papuas, os alemães e os proprietários das casas de passe a pagar a crise madeirense e nacional, ou seja, todos menos nós, pensei que o desfecho era outro. A esquerda, desta vez, ia arrasar. Enganei-me e fiquei inseguro.
Tão inseguro que ainda não sei se a esquerda conseguiu eleger apenas um ou sete deputados. Os especialistas que decidam.

Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

PARECE QUE O MUNDO ESTÁ A ACORDAR (SERÁ?)

Comunismos, Capitalismos, Socialismos e outros ismos.
Esquerdas, Direitas e Centros.
São todos “bons”. Só querem o bem de todos. Normalmente, como resultado palpável da sua acção, conseguem criar uma pequena elite que se assenhoreia dos bens de produção e da riqueza criada por milhares de outros seres humanos que vivem e trabalham no duro. O mal talvez não esteja nas ideologias. Eu tenho a certeza disso. O problema está nas pessoas e na ganância.
Parece que temos de reciclar as nossas mentes, conceitos e outras coisitas. Uns mais que outros. Se queremos ter futuro.

Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

RETRATO DE UM PAÍS

Médicos da Costa Rica (*)

Os poderzinhos dos poderosos que ajudam o país a afundar.

Os doentes que se lixem

O país pode desperdiçar dinheiro à vontade

Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011

RESIGNAÇÕES

Usam palavras inflamadas, mas não convencem a maioria. Opõem-se a tudo o que mexe, desde que venha de um qualquer governo. Agem como se fossem os senhores da verdade e, na verdade, têm admiradores, Poucos, mas têm.
Conhece-se o seu afã para salvar o país, os trabalhadores, os pobres e tudo o mais. Só não se conhece uma ideia, do tipo preto no branco, do que fariam se mandassem. Conceitos generalistas, belos na sua essência, têm eles com fartura. Só não dizem como e quem pagaria a conta se as coisas fossem pelo caminho por eles indicados. Talvez por isso o povo não lhes dá o governo. É uma pena, porque parecem boas pessoas

Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011

PAÍS DOS PEQUENINOS

Confesso que me preparava para escrever um artigão a zurzir na justiça.
Confesso que também andava a afiar a pena para voltar ao velho assunto de não haver culpados pelos milhões desbaratados pelos sucessivos governos dos últimos anos.
Mas desisti.
Hoje sinto-me muito sensível ao cheiro do vomitado...
Será que não há por aí pastilhas com sabor a creolina para combater o mau hálito deste país?

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

APETECE-ME DIZER UM PALAVRÃO

“O arguido recorreu e o Tribunal da Relação decidiu condená-lo apenas por um crime de ofensa à integridade física simples, em 800 euros de multa, e fixou em 500 euros o valor a pagar à mulher, por danos não patrimoniais.

O tribunal deu como provado que desde 2004 o arguido em “diversas ocasiões desferia murros e pontapés” e injuriava a mulher, com quem era casado há mais de 30 anos.

A 06 de Junho de 2008, o arguido, agricultor, agrediu a mulher com uma cadeira, dando-lhe uma pancada no peito e provocando-lhe uma contusão da parede torácica, um hematoma na região frontal e na mama e escoriações nos lábios e cotovelo.

Segundo a Relação, esta agressão “não foi suficientemente intensa” para justificar a qualificação do crime como violência doméstica.

O mesmo tribunal diz ainda que a descrição, que consta na sentença da primeira instância, sobre a alegada conduta violenta do arguido desde 2004 “mostra-se algo indefinida, vaga e genérica”.

“Não esclarece o número de ocasiões em que as agressões ocorreram, a quantidade de murros e pontapés em causa ou qualquer elemento relativo à forma e intensidade como foram desferidos, ao local do corpo da ofendida atingido e suas consequências, em termos de lesões corporais”, refere.”

No Público de hoje - edição on-line.

Fico a pensar:
Nesta cadeirada algo indefinida...
No grande lapso da mulher em não contar os murros e pontapés que lhe caíram em cima durante estes anos todos....
Na estupidez da mulher em não medir a intensidade dos sopapos que levou.

E concluo que isto não é uma Relação mas sim uma Ralação.

Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

FOI ASSIM QUE ME CONTARAM

O Serão ia longo. A conversa, em tom tranquilo,  fluía amaciada pelo vinho de cheiro, acompanhado de chouriço assado. Encontrara-o, por acaso, na ilha. Velho amigo maianguista. Célebre, na sua juventude, pelas suas “galgas”. Nessa altura, ouvíamo-lo deliciados. Ainda é assim. Convidei-o para jantar na minha casa, situada num vale perdido de S. Miguel. Com o murmurar do mar ao fundo, contou-me este estranho, horroroso e mórbido episódio. Por qualquer motivo acreditei nele, apesar do leve sorriso que lhe riscou mansamente a face, à medida que se aproximava do fim da história...

As coisas são como são e o Sr. Leopoldo, antigo amanuense da Fazenda Pública, tinha, tal como quase toda a gente, as suas crenças em determinadas mezinhas no que reportava à saúde e bem-estar.  Neste caso, a preciosa dica viera do seu velho e safado amigo Fonseca. A cura da asma era certa, garantira-lhe ele com ar sério.
Deitava-se cedo. Porém, antes de o fazer, dava de comer ao “Conhaque”, o seu velho cachorro e preparava, com minúcia, o relógio para o despertar às duas e trinta da manhã. Era muito rigoroso neste pormenor.
Quando chegada a hora e soava o alarme, o ritual era sempre o mesmo: desligava o despertador, empurrava a roupa da cama para baixo e, continuando deitado, puxava as calças do pijama para os tornozelos. Depois pegava na pequena lata, erguia as magras pernas dobradas pelos joelhos salientes e polvilhava os mirrados testículos com pó de talco.
Nesta operação recordava sempre, com nostalgia amarga, os tempos em que os ditos apresentavam um aspecto “mais composto”. Nos últimos trinta anos de diárias borrifadelas assistira, constrangido, à “queda do império”, como gostava de dizer.

As coisas são como são e o Sr. Leopoldo acabou por morrer, já em idade avançada, não directamente por causa da asma mas por causa do cão.

2h32m da matina. Noite de temporal. Muita chuva. Muito vento. O telefone toca. Com o susto o Sr. Leopoldo até deixa cair a lata do pó de talco em cima das velhas glórias. Dói-lhe.

É o vizinho que se deita sempre tarde, a informar que acaba de ver o “Conhaque”  enterrar no jardim do quintal a dentadura do velho. De sacho na mão, vestindo apenas um velho e gasto pijama, o Sr. Leopoldo não aguenta aquela majestosa invernia. Cai fulminado por uma pneumonia galopante. Quis o destino que, na queda, a prótese se tenha encaixado, graciosamente,  na boca do seu velho dono...

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

SOU UM TÓTÓ EM ORIENTAÇÃO

Pedro Silva Pereira, ministro do anterior governo, disse que “a orientação do governo contraria o que foi prometido”.
Ah, como era diferente a “orientação” no tempo do seu governo. Era só fechar os olhos e o Zé via tudo cor-de-rosa: TGV; dívida do Estado a aproximar-se do zero, desemprego a diminuir, empresas a florescer, impostos a mirrarem e, sobretudo, mas sobretudo mesmo, a graça celestial que era quando nos diziam que o nosso país era o que mais crescia na Europa. Ainda me recordo da Europa toda verde com inveja dos “jes”. Lamentavelmente esqueci-me de reportar o anúncio no qual se informava de que já tínhamos saído da crise. A minha memória já não é o que era...

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

DIVAGANDO...

Como, calmamente, a minha sandocha preferida. Lá no chão vejo uns olhos atentos e gulosos a olharem para a nica de alface que sai do pão. São do cágado caseiro, herdado do meu bisavô. Espero que ele não salte em direcção à verdura... não é costume, mas...
Verdura, o Joãozinho, o José e muitos outros que contribuíram para a nossa desgraça porque têm poder. E irresponsabilidade. E imunidade. Apesar de processos criminais e não criminais abertos com pompa e circunstância.
Continuo a divagar. Olho de novo para o “Bonitão” todo encarquilhado e de olhos gulosos. Espero de não ter de  comer um dia destes uma sopa de cágado para matar a fome. Seria lamentável. A responsabilidade irresponsável de tal acto seria do José, do Joãozinho, do Teixeira e de muitas outras rosas e laranjas. Sem dúvida.

Sábado, 20 de Agosto de 2011

SÃO UNS LINDOS

Continuam uns pândegos. O lema da irmandade era gastar. Havia sempre uns patos, longínquos, a trabalhar para pagar as nossas dívidas. Os patos grasnaram mais grosso e fecharam torneiras. Agoram sonham com sacrifícios sem dor. Coitados. Temos gente. Para a lírica. Sem dúvida.

Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

INTERVALO

Existem coisas na vida que vamos adiando sistematicamente mas que, um dia, gostaríamos de fazer ou, pelo menos, tentar fazer. Muitos chamam-lhe projectos adiados. Pois bem, tenho um projecto pessoal adiado há dezenas de anos. Chegou a altura de arregaçar as mangas e ir em frente. Vai ser prioritário por uns meses. Não muitos. De tal forma que, a partir desta data, a “A Beiça” fica suspensa, bem como a minha fugaz participação na “A Voz das Palavras”. Mesmo como leitor manter-me-ei afastado da blogosfera. Tratando-se apenas de um intervalo nesta actividade, não há lugar a grandes despedidas. Um singelo “até já” e um abraço a todos são suficientes. Com licença...

Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

"SOMOS A PAGAR"... FORTE E FEIO

É um novo buraquinho. Na Saúde. De 139 milhões de Euros. O SUCH criou 3 empresas para reduzir custos na saúde: a “Somos Compras”, a “Somos Contas” e a “Somos Pessoas”. A “redução” gerou num lindo passivo. É um regalo vê-lo. Claro que a criação tinha de meter parcerias. A Delloit, a Accentura e a Capgemini.

Face ao descalabro, o ministério decidiu fundir as três empresas. Aguarda pelo consentimento do Ministério das Finanças. Por aqui sugerimos que a nova “estrela da poupança”, resultante da junção dos trapinhos, se chame “O Buraco”. A Beiça pensa que é apropriado.
(fonte: TVI 24)

Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

NINGUÉM ME PEDIU, MAS...


Ando muito concentrado a ver se consigo contribuir para resolver o problema da maioria dos portugueses. Até já emagreci por conta de tanta concentração dos neurónios. Não há tempo para comer. O problema consiste em mudar as políticas, os sistemas, os vícios e as demagogias que nos levaram até à pobreza franciscana actual, conforme os portugueses querem, ou seja, sem mudar nada. Presumo que atingir tal objectivo nesses moldes só por milagre e, isso, meus amigos, está fora das minhas possibilidades, E mesmo que estivesse? Não o faria. Os cagarolas não merecem tanto.

Sexta-feira, 13 de Maio de 2011

PERGUNTA DO DIA

Continuar a ter este senhor como primeiro-ministro não pode ser considerado violência doméstica?

Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

OS SENHORES DE MENTIRA


O ministro da Presidência negou hoje que o ministro das Finanças tenha escrito uma carta ao Fundo Monetário Internacional (FMI) com compromissos adicionais sobre redução da taxa social única (TSU) e acusou Francisco Louçã de fazer truques.
(notícia do jornal “I”, de hoje)

Eu não sei quem mente. Um deles é. Tenho a minha inclinação...
Sabemos que a mentira sempre andou de mãos dadas com a política. Mas nunca como agora. A mentira libertou-se do seu campo habitual na política - a promessa -  e tornou-se mais abrangente. Já não bastava ao vergado cidadão lutar diariamente contra a montanha de sarilhos em que o meteram. Agora também tem de ser adivinho. Mais do que nunca.

Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

SAFA: QUER DAR-NOS MAIS DO MESMO


Deus nos salve de tanta perfeição...

Terça-feira, 10 de Maio de 2011

NOVO COMENTÁRIO DO NOSSO OPINION MAKER

(Opinion maker)

LUIS FILIPE VIEIRA, excelso presidente do S.L.B., a propósito da má época do Benfica:
"Passámos demasiado tempo a comemorar"

Comentário do Galo Classe  A
(cofiando a barba de dois dias)

«Concordo com o dito do excelso. Nós, cidadãos, também andámos em festa uma data de anos. Não queríamos acordar. Não queremos acordar. O despertar vai ser de mágicos. Desaparece tudo.»

Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

SEM QUERER, SONEGUEI-LHE A MEDICAÇÃO


Aos leitores e amigos mais preocupados com a saúde do meu bichano informo, com alguma emoção, que está curado. Afinal não passou de uma mera constipação. Resolveu-se a situação com o habitual: uns bifinhos mal passados, uns tintos robustos e, ao deitar, um copinho acrescentado de bagaço com uma leve, muito leve, pinguinha de leite. Não quis abusar do leite com medo que lhe fizesse mal. Obrigado pela vossa simpatia.
Da escassa informação que ouvi retive apenas uma notícia. Em um inquérito, os portugueses apontavam um dos candidatos como mais honesto que o outro mas, apesar disso, preferiam entregar a gestão do dinheiro dos seus impostos ao “tal”. Confesso que não sei se foi bem assim que ouvi. É que nessa noite fria enganei-me e troquei as vasilhas. Encharquei o gato de leite e bebi eu o medicinal bagaço. Todo.

Quarta-feira, 20 de Abril de 2011


Por motivos de saúde, do meu gato, vou tirar umas pequenas férias. Volto daqui a uns dias. Se precisar de me contactar é favor de telefonar ali para cima. Estou lá.
Entretanto, uma BOA PÁSCOA para todos vocês leitores, amigas e amigos

Terça-feira, 19 de Abril de 2011

NOVO OPINION MAKER. O TIPO ATÉ JÁ DIZ COISAS ACERTADAS

(opinion maker)

Loja Espanhola anuncia fecho meia hora depois da inauguração
Os 22 funcionários de uma empresa de informática na Corunha ficaram a saber que vão ser despedidos meia hora depois de a loja ter sido inaugurada.

Comentário do Galo Classe  A
Suspiro (de certa forma ruidoso) 
«Se isto tem acontecido com o nosso governo quando tomou posse...»


Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

REPENSEMOS, se faz favor


Penso nesses homenzinhos  que andam por aí a pedir o nosso voto para as próximas eleições. Apresentam-se todos como donzelas imaculadas. O estado a que o país chegou parece não ter nada a ver com eles. Governo e toda a oposição. Olho para a cara deles e pergunto-me a mim mesmo «é com estes tipos que vamos a algum lado?»
Todos eles muito previsíveis. Todos a repetirem as mesmas ideias com que nos brindam há décadas. Todos cheios de generalidades. Ninguém galvaniza ninguém. Vaidades.
Ensinaram-me que a competição é salutar. Pessoalmente começo a pôr em causa essa ideia. Vejo uns poucos vencedores que ficam com tudo e multidões e mais multidões a ficarem sem nada. Incluindo a dignidade.

Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

SÓ PARA TIRAR DÚVIDAS


Uma candidata espanhola às eleições municipais de Ciutadella, em Espanha, colocou um cartaz com os seios à mostra. “Dois grandes argumentos”, assim dizia o slogan de campanha.
Pus-me cá a pensar que o nosso mal é a manifesta falta de argumentos dos nossos líderes. Na verdade não estou a ver o Louçã, por exemplo, com um par de argumentos que impressione. Nada disso. Os outros também não devem fugir à regra. Como em democracia impera a transparência, solicito, empenhadamente, à estância competente que produza um cartaz com os cinco líderes dos principais partidos em fato de banho. Como um deles é hábil na arte de fazer encher o olho dos crentes mais desprevenidos recomendo, vivamente, que os fatos de banho não tenham peitilho.  

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

APONTADO O OBJECTIVO



A propósito, esses bexiguentos, para sair da depressão que os atingiu no inicio dos anos noventa, deram-se à trabalheira de privatizar, por cá seria um enorme pecado na óptica de alguns, de desregulamentar, uma coisa horrorosa cá no burgo e de promover cortes nos impostos, uma loucura, uma loucura. Só pode.

Mesmo assim, foram os primeiros qualificados no Índice de Prosperidade Legatum de 2009, que é baseado no desempenho económico e na qualidade de vida. O mundo deve estar de pernas para o ar.

Como é que eles chegaram a tal ponto sem terem as “sumidades” que nós temos por cá é, para mim, um mistério.

De qualquer forma, espero ter uma oportunidade de devolver o mimo, com juros, a esses fulaninhos -  (bem posso esperar sentado).

Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

Reflexões do Grande Cajundinho (3)

Diálogo Quase Espiritual

http://www.a-voz-das-palavras.blogspot.com/

Terça-feira, 12 de Abril de 2011

PATUSCOS

NOTÍCIAS

Portugal de joelhos
Portugal é o único país do mundo em recessão em 2012

Bahhh, haja alegria. Ninguém liga a isso. O que nos põe roxos de indignação é quando um gajo muda de camisola. Na primeira e segunda vez até achamos piada. Há terceira encolhemos os ombros. Só acordamos, aí sim, surpresos e com raiva, lá para a quarta. Com jeito ainda imputamos ao fulano, com muita nobreza, a responsabilidade dos últimos seis anos de farra. É preciso é calma.

Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

JÁ NÃO HÁ PROMOÇÕES COMO DANTES


Desde 1974 que o país pediu três vezes ajuda ao FMI, ou seja, em média, de doze em doze anos. Já merecíamos um prémio do tal Fundo: por fidelidade ou por cliente antigo.

Domingo, 10 de Abril de 2011

QUE FALTA DE ATENÇÃO

Anders Borg diz que executivo devia ter pedido ajuda em Outono passado
Ministro sueco das Finanças: Governo português é responsável pela situação do país.
09.04.2011 "O Público"

Segunndo dia do congresso do PS
Socialistas unânimes: a culpa da crise é do PSD
09-04.2011 "O Público"

Vêem como se arranjam grandes confusões? Os primeiros desconhecem que foi o PSD que governou o País nos últimos seis anos. Distraídos...
Por sua vez, os outros, nem sequer se aperceberam que ainda estão a governar Portugal. Distraídos...

Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

COMO O TEMPO PASSA




Fernando Ulrich queixa-se de que quando alertavam para a situação difícil que o país estava a viver o governo iam fazendo troça do que eles (BPI/banqueiros) estavam a dizer.

Àquela rapaziada não faltava sentido de humor. Passou seis anos a contar anedotas a dez milhões de portugueses. E nós sempre a rir. Ríamos...

Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

NEM PAREÇO O MESMO


Já fui consultar os horários. A partir de agora não vou falhar uma missa aos domingos. Se calhar, esmiuçando bem a agenda, ainda estico a presença a mais dois dias da semana. Este súbito fervor religioso deu-me forte depois de ouvir ontem a “Grande Vítima”.
Não sei se existe, do ponto de vista credível, repito o credível, algum outro sistema diferente daquele em que vivemos e que traga bem-estar às populações. Por isso era bom que aprendêssemos a jogar bem este jogo capitalista. Aqui entra a minha novel conversão a beato sólido. Pertencendo à congregação, talvez as minhas preces futuras sejam ouvidas. Resumem-se a coisa pouca: que sejamos craques no jogo, mas com honestidade, compaixão e longe da avidez. Sei que não há perfeição. Mas existem alguns países no sistema, lá mais para norte, que roçam, fortemente, este enquadramento. O que me dá ânimo.

Terça-feira, 5 de Abril de 2011

ERA ASSIM... EM LUANDA (14)


O RAPAZ QUE VEIO DO PORTO

A vida estava a correr-lhe bem. Tinha prédios e casas em quase todos os bairros e o dinheiro das rendas amontoava-se à sua frente. Enfim, um cristão está a ser bem sucedido, como nunca o foi antes e zás, vem um evento daquela magnitude e quase dá cabo de tudo. Têm de interromper o jogo de Monopólio porque, naquela entardecer de 1969, havia um emocionante Benfica – Sporting no estádio dos Coqueiros. Nunca se vira loucura tal em Luanda. As ruas cheias, o velho estádio a rebentar pelas costuras e os espectadores a tentarem identificar os ídolos que só conheciam pelos relatos de rádio que eram religiosamente ouvidos aos domingos.
Jogo terminado. Os leões tinham asfixiado as águias por 5-2 e a lagartada de Luanda estava em êxtase. Muita cerveja correu nesse dia pelas gargantas exultantes de leões. Consta que as gargantas murchas das águias, numa tentativa de aliviar o “luto”, não deixaram os seus créditos por goelas alheias.
Neste ambiente, Edgar e Armando vão apanhar o maximbombo para regressar a casa. A fila na paragem era tão grande, tão grande, que consta que o último tipo da fila, que morava na Corimba, estava à porta de casa sem dar por isso. Chega o maximbas. O relatório da polícia descreve a entrada tumultuosa como “pior que um ataque de quissonde”.
.Edgar e Armando conseguem entrar. O motorista avisou: «não arranco enquanto não saírem as pessoas que estão a mais. Só levo a lotação».
De repente o autocarro começa a andar. Deu a volta ao quarteirão e parou em frente da esquadra da polícia. Uma pausa. Uns instantes depois, dois agentes, dos mais “crescidos”, entram pela porta de frente. “Os cassetetes pareciam ventoinhas”, na opinião de uma testemunha ocular com um olho negro. As pessoas saltavam pelas janelas, pelas clarabóias. A porta de trás também registava um movimento nunca visto.
Edgar está indignado. Dezassete risonhas primaveras carregadas de sabedoria. Em estilo, próprio dos grandes momentos, entra pela esquadra e faz o discurso mais longo da sua vida:
- Não há ninguém mais inteligente que consiga resolver este problema?
Nunca a esquadra tinha vivido um silêncio assim, após tão elevado repto.
- Para me estragar a noite, só faltava um “revolucionário” – murmura o chefe, benfiquista convicto, compreensivelmente aborrecido com as águias, chateado com passageiros indisciplinados e particularmente crítico «com os filhos da mãe dos árbitros que temos por cá». Nestes casos, nada melhor que um “revolucionário” para aliviar a tensão, filosofou.
Nessa noite, a sabedoria do Edgar foi bondosamente incrementada por sábios cassetetes. O pobre do Ed, «numa tentativa de aliviar a pressão», como contou mais tarde, durante uma animada sessão de copos, ainda disse que era adepto do F.C. do Porto. Graaande asneira. Revolucionário e Portista. Era demais, no entender do abalado chefe, para uma única noite. Para aliviar a tensão, em crescendo, devido a esta última declaração, muito desastrosa, o chefe recomendou novo “tratamento” ao indígena do Bolhão, “se possível com um empenho mais vigoroso”. Palavras de graduado.
Os amigos são para estas ocasiões apertadas. Armando, em face do apocalíptico terramoto que caía, literalmente, em cima do amigo, agiu com rapidez. Bate o próprio recorde pessoal, no percurso compreendido entre a Esquadra dos Coqueiros e a Maianga: 14 minutos e 37 segundos. Recorde que continua em vigor. Acorda o pai. Por sinal é polícia. Pelas duas e trinta da madrugada, Edgar é entregue em casa por um agente fardado. Um pai, boquiaberto, ouve, com a máxima atenção, as explicações que o agente transmite, com copiosa variedade de pormenores, sobre o dom de oratória do filho. Nunca se tinha apercebido daquela capacidade discursiva do pimpolho. “Sendo assim, a rapaz tem de ir para a universidade”, pensa o progenitor orgulhoso, ao mesmo tempo que aplica um correctivo ao filho. «Só por causa dos desmandos», explica a um Ed que já vai na terceira dose em poucas horas. Há dias que mais vale não sair de casa.
Eram seis da tarde quando um candengue desgrenhado, um olho azulado e outro castanho, com adesivos por aqui e por ali leva, finalmente, os seus parceiros de jogo à falência. Sabiamente, nunca mais interrompeu qualquer partida de monopólio em que participou. Muito menos por um Benfica - Sporting.

História enviada por Edgar Neves
Adaptação de FMF


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