Domingo, 19 de Julho de 2009

DIA DE SOL - MENTE CINZENTA


Tomo o café absorto em mil pensamentos. O velho rádio descai-se, em surdina, com uma antiga canção do velho Roberto Carlos. “O Rei”, sorrio com a evocação. Em tom muito magoado ouço-o, dirigindo-se à ingrata amada: «se aparecer outro cabeludo» …
Cabeludo! Como era bom voltarmos a ter gente genuína, de cabelo no peito. De antes quebrar que torcer. Agora só vejo pessoas de plástico. Acabo de tomar a bica. A telefonia debita o noticiário: «médicos querem que lei admita o recurso a “barrigas de aluguer”». Deve ser isso. Afinal não somos de plástico. Somos de aluguer. Alugamos tudo. Até a nossa consciência – se for preciso.

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

É SEMPRE ASSIM QUANDO PRECISAMOS DE AJUDA


“Um homem dirigiu-se à esquadra da polícia para denunciar que lhe haviam roubado o seu burro. Os polícias exigiram-lhe que explicasse bem os pormenores do sucedido. Depois de o terem ouvido, um dos polícias disse severamente:
- O senhor teve muito pouco cuidado. Sim, foi bastante negligente. O que lhe passou pela cabeça para fechar a porta do estábulo com uma fechadura tão frágil em vez de pôr vários cadeados?
Outro guarda disse:
- Foi uma insensatez permitir que se visse a cabeça do burro desde a rua. Não podia ter levantado mais o muro para ocultar bem o animal?
Um terceiro guarda interveio:
- Onde estava quando lhe roubaram o burro? Se tivesse ficado lá, atento, teria visto o ladrão levar o jumento.
Então, o denunciante, no limite da sua paciência disse:
- Senhores agentes, o que estão a alegar é correcto até certo ponto, mas imagino que o ladrão também há-de ter alguma culpa, ou não?”

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

«CADA VEZ QUE O PS É GOVERNO EM PORTUGAL FICA COM MENOS POBRES»

Quem o diz é o Sr. Sócrates.
Acreditamos, porque este homem é impecável. Já estamos tão acostumados que daquela boquinha só saiam verdades que já não questionamos nada. Bom, uma dúvida tenho eu desde pequenino: um pobre que é subsidiado mensalmente deixa de ser pobre?

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

JÁ NÃO VIA UM COLIGATÓRIO ASSIM HÁ MUITO TEMPO

Com tanto intelectual a apoiar a candidatura de António Costa só podia saír um grande, mas grande, coligatório. Com alguma dificuldade, digo eu.

O DEVEDOR DE PROMESSAS

Na fase final das festividades do Bairro da Bela Vista - não me lembro a que padroeiro foram dedicadas mas, recordo, que foram muito barulhentas por causa dos tiros e a iluminação era caprichada por causa dos carros incendiados – o ministro encheu o peito e apareceu por lá. Reuniu com as forças vivas da rapaziada e logo ali lavrou, não sei se sob palavra ou se chegou a escritura, um Contrato Local de Segurança, com direito a sigla e tudo: CLS. Lindo.
Como manda a tradição, o CSL não está a ser cumprido por parte do governo. Sendo assim, tal como as vantagens do nudismo saltam à vista, as consequências da quebra de promessas também serão evidentes. Lindo.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

ASSIM NÃO DÁ !


Caros leitores,

Hoje não escrevo nenhum dos meus costumeiros e acutilantes artigos porque estou nas urgências do Júlio de Matos. Eu explico: as duas primeiras, arranharam-me as moléculas do cérebro e baralharam-me o raciocínio (espero que temporariamente). Com a terceira, entrei logo em depressão porque, com a minha idade, não tenho hipótese nenhuma. A mulher e uns familiares próximos, chamados à pressa, cedo optaram pelo meu internamento. Só para avaliarem o meu caso, leiam, com muito cuidado, não vão ficar também afectados, os títulos que levaram ao meu actual infortúnio:

PROFESSORES DE PORTUGUÊS QUEREM QUE GOVERNO EXPLIQUE DUPLICAÇÃO DE NEGATIVAS (na disciplina de português, claro)

A ASAE É INCONSTITUCIONAL

FALTAM DEZ CENTÍMETROS PARA OS PORTUGUESES SEREM RICOS A SÉRIO

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

TAMBÉM TENHO OS MEUS DEFEITOS DE FABRICO

No passado Domingo, o Papa defendeu «soluções globais» para as velhas «desigualdades sociais e as injustiças estruturais intoleráveis». O bom Homem está a pedir que a agulha da nossa bússola interior dê um salto tremendo e se liberte da posição onde se encontra encalhada há muito e muito tempo. Tenho a sensação que, nos próximos anos, a dita agulha vai mesmo começar a saltitar. Não devido ao apelo do Sacerdote. Infelizmente. Palpita-me, apenas, que as agruras que a humanidade enfrentará no futuro muito próximo – no início foi a crise, depois veio a gripe, esperemos pela próxima pancada - tenderá, finalmente, a que comecemos a olhar para os outros com mais brandura e com solidariedade genuína. Para finalizar e sossegar certos espíritos, declaro que não sou moralista, os sacanas dos palpites saem-me quase sempre furados e não sou médium. Tenho, muitas vezes, a veleidade simplista de pretender juntar 2+2. Enfim, ninguém é perfeito.

Domingo, 12 de Julho de 2009

NÃO HÁ CURA PARA ELES?


«Vou mesmo até ao fim», diz a D. Elisa, maravilhada com o apoio do partido e em estado febril. Nós, infelizes, olhamos para esta gentalha com sobressalto. Será que eles acreditam mesmo que somos uma cambada de tolos? A sua avidez pela mesa do orçamento, cega-os? Afecta-lhes alguma membrana desconhecida? Enevoa-lhes a lucidez e a própria visão do mundo? Eu sei que anda tudo maluco. Mas assim tanto?

Sábado, 11 de Julho de 2009

ESTE GESTO EU APOIO


Anda por ai muita gente mal disposta porque o Sr. José de Sousa Saramago anunciou o seu apoio à candidatura de António Costa. A par do elogio a António C. pelo «magnífico trabalho à frente da autarquia» – desconfio que aquele ensaio sobre a cegueira pô-lo a ver demais – a Câmara concedeu um subsídio de 30000 Euros para a produção de um documentário sobre os amores entre o Prémio Nobel e a sua actual mulher. Certamente que é esta aparente troca de galhardetes que deixa muita gente com azia.
Não simpatizo com o homem. Em tempos passados mostrou, e é apenas a minha opinião, ter tiques de ditador. Sou, no entanto, admirador da sua obra escrita. Acredito que um presidente de câmara menos rosa e esquerdino e que tivesse feito um trabalho verdadeiramente magnífico, não lhe mereceria a menor palavra de apreço. Quero com isto dizer que o elogio não teve nada a ver com a concedida e irrisória prenda.
Quero também dizer que aprecio o gesto autárquico porque, quer se goste ou não da criatura, a verdade é que ele é um símbolo da nossa cultura. Reconhecido mundialmente.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

UM DIA ESPECIAL

A felicidade e a angústia fizeram um pacto e juntaram-se hoje na minha vida. Silenciosamente, oro. Se for escutado, o dia será perfeito: daqui a umas poucas horas uma vida triunfará e darei abraços silenciosos de contida alegria a pessoas queridas. Mais tarde, eu e a minha Maria faremos um brinde com um brilhozinho nos olhos.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

ESTA ESTOCADA FOI FEIA

A percentagem de reprovações em matemática duplicou e a Ministra da Educação diz que a culpa foi... da Comunicação Social.

E NINGUÉM ME DÁ UMA ASPIRINA?

Ainda estava a recuperar da real saloiada madrilena e leio agora que Michael Jackson vai ser sepultado sem o cérebro.

BREVE PARTILHA ÍNTIMA

Quero partilhar agora (solto, inadvertidamente, um suspiro nostálgico) um momento íntimo com os meus leitores: lembrei-me de repente como eu ficava embevecido quando os políticos e os economistas diziam, com convicção inabalável, que a globalização seria o remédio futuro para todos os males da humanidade. Os amanhãs seriam bordados de bem-estar e a pobreza enclausurada em minúscula prisão de grossas barras de ouro. Estúpido de merda, atiro agora para a imagem que o espelho da casa de banho me devolve. Suspiro de raiva.


Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

EU ATÉ GOSTAVA DE COLABORAR

«É preciso consumir» diz o nosso presidente do Banco Central Europeu. «Para olear a economia», acrescenta. Em jeito de remate final, ainda se sai com «a confiança é a palavra-chave». Pois é, se tivesse confiança numa repartição justa do dinheiro que circula pelo mundo, se tivesse confiança na justeza dos juros cobrados pelos bancos, na sensatez do que um médico ou advogado me cobra por uma consulta ou na transparência dos preços que pago por mil e um bens e serviços, todo eu era óleo económico e consumista desbragado.

Domingo, 5 de Julho de 2009

VAMOS LÁ VER DE QUE MASSA É FEITO

Afinal, ao que parece, não houve nenhum cheque entregue pelo ministro ao clube de Aljustrel, o que deixa o deputado Bernardino Soares pior do que aquele meu estimado vizinho que tombou com as mãos nos bolsos.
Ou as fontes do deputado, adepto da Coreia do Norte, induziram-no em erro ou, então, temos um caso de má fé. Embora não seja despiciente saber qual foi exactamente a origem do “mal”, a ser verdade a notícia que li no site da RR, gostaria de ver o Sr. Bernardino a pedir desculpas públicas ao Sr. Pinho. Já não evitaria os estragos mas, pelo, menos, restituiria uma pinga de hombridade à própria Assembleia da República. Até podia ser que, num gesto de boa vontade, um retirasse a figurada cornada e, o outro, reconhecesse que a democracia lá do país dos mísseis e da fome é, pelo menos, esquisita.

Sábado, 4 de Julho de 2009

O SORTEIO PARA PARTICIPAR NO ENTERRO DO INFELIZ

É nestas alturas que um candidato a vendedor de uma qualquer banha deve tirar uns apontamentos sobre marketing. Tem lá de tudo: os espertalhões, os imbecis choramingas, as histéricas, ávidas por uma entrevista conduzida por uma repórter aparentemente idiota, e muito e muito dinheiro carreado para empresários a jorrar compunção pelos olhos e pelas algibeiras. E nunca mais enterram o gajo.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

AQUELA GALHADA DE ONTEM JÁ AGITOU O MEIO


CURSO DE FORCADO

Soube agora, ao tentar a matrícula que, desde ontem, as vagas estão todas preenchidas até 2030.

AFINAL QUANTOS SÃO OS MINEIROS?


Há quem considere que o gesto foi pouco elegante. Atendendo ao local onde ocorreu parece-me que está bem enquadrado. Aquela casa tem, ultimamente, oferecido espectáculos de qualidade duvidosa, aliás, quase todos os seus actores sofrem do mesmo problema qualitativo. Para me tornar tão deselegante quanto o acto do Dr. Manuel Pinho, devo dizer que todos nós somos culpados pelo nível da companhia e pelas suas ridículas cenas. Infelizmente, na avaliação periódica do trabalho dos políticos, não avaliamos com rigor os resultados que obtiveram, passamos uma esponja sobre as mentiras e as promessas não cumpridas que nos impingiram e, sem qualquer critério, voltamos a votar na cor da nossa devoção. Por isso não sei porque esperamos mais do que aquilo que damos nas eleições.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

VISTO DA MINHA VASSOURA


O ESTADO DA NAÇÃO é hoje debatido na Assembleia da República. Prevêem-se tiradas iluminadas pelo céu, vindas de José Sócrates, e tições rubros a cruzar os ares, em direcção à governação, arremessados pelos infernais opositores. O povo, cansado, gostaria de ver menos espectáculo e mais convergência para resolver os muitos e graves problemas da nação, com inteligência, sentido prático e rapidez.

ALGUÉM me explica porque é que a Greenpeace bloqueou a sede do Jerónimo Martins para protestar contra a política de venda de peixe? As entidades concorrentes da JM, neste sector de negócio, portam-se todas bem? Estranho.

Estamos a encarar com o porreirismo habitual a crise da GRIPE A (H1N1) e toca a viajar por esse mundo “sem medos”. Talvez lá para o Outono acordemos com alguma febre e uns quantos espirros.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

JÁ QUE FALAM TANTO DE DIGNIDADE


João Pedro nasceu em Dezembro de 2004 e desde os seis meses que a família luta contra paralisia cerebral e a incapacidade de 80 por cento que o impede de levar «uma vida mais normal». A esperança de dias melhores está na obtenção de uma cadeira especial que irá permitir ao jovem com quatro anos crescer, estudar, utilizar o computador ou simplesmente sair de casa. A atribuição da cadeira de transporte e posicionamento é da competência do Estado, mas até hoje a burocracia e a falta de verbas da administração central ainda não permitiu que a urgência do caso fosse respeitada.

Sabes, João, o teu caso e o de muitos outros meninos, resolvidos com simplicidade e rapidez, encher-me-iam de orgulho do meu país, fazer-me-iam olhar para os nossos políticos com admiração e passaria a acreditar que éramos um verdadeiro país “da frente”, do primeiro mundo. Infelizmente, somos efectivamente um país “da frente” mas só nas aparências. Na verdade, se alguém nos riscar lá por cima, na leve camada de verniz que cobre o país, depressa descobrirá que somos um agregado de ilusões. Não me quero alongar muito mais, mas parece-me que o caminho a seguir para alcançares o que precisas não está nos eleitos mas no povo. Segue aquele velho trilho, já calcorreado por muitos e muitos aflitos e, através de um qualquer jornal ou televisão, faz um peditório nacional. É duro mas é mais prático do que ficares à espera de mais um parecer de um qualquer funcionário altamente qualificado, de mais uma entrevista com uma técnica altamente qualificada, ou de mais uma dotação orçamental.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

A SAIA PROTECTORA


A distribuição de empregos pela rapaziada da mesma cor não é exclusiva deste PARTIDO, como toda a gente sabe. Como faço parte do grupo de castiços que acredita naquelas velhas tretas de um mundo melhor, mais justo, com mais equidade e outras fadas boas, tento sempre fazer pressão, nem que seja simbolicamente, como é o caso, para que o meu grupo mantenha a chama viva. Portanto, se é do clube e gosta de limões, leia isto aqui e aqui.

Ainda sob o arco das injustiças deste mundo, não posso deixar de mencionar, em tom de sentido lamento, aquele pobre REFORMADO que, certamente para defender a sua parca reforma, tem quarenta seguranças ao seu serviço e um avião à sua disposição para umas voltinhas quando o tédio aperta. Mesmo assim, bolas que este mundo é mesmo mau, a polícia anda em cima dele. Muitos accionistas e depositantes de um certo banco, certamente gente mal formada, também gostariam de lhe apertar o papo.

Domingo, 28 de Junho de 2009

COR-DE-ROSA


Passam a vida a anunciar estágios em tal quantidade que, caso se concretizassem, passaríamos a ser conhecidos no mundo inteiro pelo país dos estagiários. Gostaria de os ver anunciados só após a sua realização e, sempre, acompanhados de uma nota sobre o real aproveitamento dos mesmos, ou seja, quantos dos frequentadores conseguiram emprego na área do aprendizado, nos seis meses seguintes. Isso sim, seria propaganda aceitável.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

PREGO A FUNDO


O Ministério Público, segundo a imprensa de hoje, teme que os cinco magníficos e ávidos gestores do BCP fujam à justiça – ladrões e vigaristas já anteriormente fizeram essa desfeita aos senhores polícias e aos senhores juízes. Socorrendo-se da sábia lição daquele velhinho episódio do gato escaldado, vai solicitar que sejam impostas cauções elevadíssimas aos potenciais candidatos a excursionistas. Elevadíssimas, na perspectiva de um teso beato como eu. Trocos, para o quinteto sequioso.
Ver esta gente - outrora bajulada, poderosa, respeitada pelo medo que o “seu” dinheiro infundia - ser tratada ao nível de possíveis fugitivos à justiça, não me faz feliz como ser humano. Saber que, pelo menos neste caso, a justiça vai, lentamente como é costume, fazer o seu papel e tratando os “poderosos” como cidadãos ordinários, já é outra conversa.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

O MUNDO SECRETO DOS SACOS

Como cidadão gostava de saber - com mais pormenores do que aqueles que os Senhores Sócrates e Mário Lino atabalhoadamente expuseram - algo mais sobre a recém descoberta Fundação Para as Comunicações Móveis: o que faz concretamente, quantos administradores tem, se são remunerados, a composição do seu quadro de pessoal e quais as acções reais que já desenvolveu. Todos os zés pagantes do reino ficariam com a alma mais aconchegadinha com a transparência desta entidade outrora oculta ao público.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

TALVEZ POR SER UM DIA ESPECIAL


Procuro imagens para publicar no blogue. Deparo-me com estes maravilhosos tons vermelhos, de um pôr-do-sol africano, a abraçarem um imponente Imbomdeiro com as suas múcuas pendentes. Deito para trás das costas o propósito de escrever sobre a última do Sócrates, do governo ou de MF Leite. Recordo-me de Luanda. Vejo-me, ainda miúdo, a lançar ao vento papagaios de papel colorido (umas vezes em forma de estrela, outras, em forma de bacalhau…), nos morros do Rio Seco. Era eu que os fazia, toscos, varetas de bordão, fio de sapateiro, cola e cauda de trapos. Bordão que ia comprar a uma velha loja na Samba. Cada um custava mil e quinhentos, ou mil e quiango, ou seja, 1$50. Volto a olhar para o Imbondeiro e sinto na boca o sabor agridoce da sua múcua. Continuo o sonho, são imagens atrás de imagens, de lugares, pessoas, cheiros, viagens, a primeira incursão ao Bairro Operário, onde as “mininas” eram “comandadas” pela mítica Cagalhoça…
Faço, neste preciso momento, um tremendo esforço para parar de escrever e acordar. Tenho, com infinita angústia, de esquecer os alegres papagaios de papel colorido e, azar dos azares, voltar a ter de dar atenção aos papagaios das rádios, das televisões, dos jornais e, até, dos próprios blogues. Eu próprio, tornado blogueiro pela curiosidade de um momento, já me sinto mais um de bico curvo.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

É CAPAZ DE SER EXCESSIVO DA MINHA PARTE, MAS...


Ops! Agora é que me entalei. Eu explico: sou daqueles que, em textos com mais ou menos verrina, “lutei” simbolicamente contra a construção do TGV e do novo aeroporto, convicto de que a situação do país não suporta, de momento, tais encargos e também por duvidar da sua real necessidade. Agora, depois de ter conhecimento do manifesto de 28 reputados economistas a dizerem a mesma coisa, começo a vacilar nas minhas certezas sobre esta situação. Sinceramente, a erudição económica deixa-me sempre muito apreensivo. Não sei porquê, ligo sempre essa ciência e os seus mentores àquela prática milenar de tirar aos pobres para dar aos ricos. Como em tudo na vida há sempre meia dúzia de excepções, mas naqueles 28…

Domingo, 21 de Junho de 2009

ACREDITE SE QUISER...

O nosso primeiro, ex-arrogante, ex-animal feroz, actual rapaz meigo e com boas intenções, já vê sinais encorajadores na economia. Por seu lado, o presidente de Banco Central Europeu entrevê a retoma da actividade no decorrer de 2010. A gente acredita piamente. O meu merceeiro também comunga da ideia de que a clientela não dá por nada.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

ASSIM NÃO DÁ

Aqueles anjinhos que, como eu, pagam os impostos a tempo e horas, embora com o credo entre as beiças, e que mal ganham cinco tostões extras desatam numa correria louca (lá estou eu e os meus exageros) para a repartição de finanças mais próxima a exarar o provento caído do céu, não vêem mal nenhum para o mundo que os bons samaritanos da administração fiscal olhem de soslaio, ou atentamente, para as contas bancárias dos suspeitos de embolsarem uns milhares à conta da credulidade dos anjinhos. Não percebemos lá muito bem tanta oposição.
Já sobre a proposta do governo de tributar sessenta por cento sobre os rendimento ilícitos e, ainda por cima, só sobre a margem que fica acima de 100 mil euros, deve ser levada em conta que é uma guerra contra o céu e uma tentativa clara de promover os anjinhos a anjolas. Então não há criminalização para diabinhos?

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

FALEM COM O "JAMÉ"** - DESERTO É COM ELE


Eugénio Sequeira, ambientalista, alerta para o facto de que em 1994 um terço do país estava em risco de desertificação e que, hoje em dia, a quota de risco é de 50%. Nada de preocupante para os últimos governos que nada têm feito para minorar o problema, nem para um povo que deixou de pensar no dia de amanhã. Em vez de tratarmos do ambiente com medidas de fundo, entretemo-nos a trocar as lampadazinhas lá de casa por outras que gastam menos mas não captam água para as barragens. Depois digam que está tudo fundido.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

CUIDADO COM O LOBO

Com o reviralho das últimas eleições e a aproximação de outros possíveis embaraços assiste-se, por parte do governo e do partido apaniguado, a uma súbita conversão à doce humildade. Até o nosso primeiro exala, agora, paz, amor e ondas calorosas de humildade. Com uma nova maioria, simples ou absoluta, teremos de volta o velho Socas vaidoso e marcial. Não deixa de ser estranho, para quem se julga progressista, que o regresso da velha jactância esteja nas mãos dos mais conservadores.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

APRENDER OUTRA MÚSICA


Foi demais. O homem admitiu pela primeira vez a possibilidade da criação de um estado palestino e as boas almas, de um lado e do outro, ficaram logo arrepiadas de indignação com a possibilidade de haver paz. Parece que mariquices destas não são coisas que se admitam ou se proponham a humanos machos – daqueles que não comem mel mas trincam as abelhas.
É que em caso da coexistência pacífica de dois estados, os entusiastas jogadores do “Mata O Teu Vizinho Antes Que Te Lixes Para Sempre”, o badalado campeonato da região, jogado com afinco, teria de ser substituído pelo muito menos popular “Vai Trabalhar Malandro”. Uma catástrofe, para os campeões de sangue e mais sangue, suor e lágrimas. Campeonatos à parte, será um desastre se os dois lados não aproveitarem esta oportunidade, ultrapassada que está a barreira do estado único.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

JÁ VOU A CAMINHO


Indo a banhos até ao final da semana, deixo-vos, para entretenimento, três (3) notícias leves, abeiçadas e exclusivas:

Segundo as últimas sondagens – que como se sabe servem apenas para inglês ver – a moda deste Verão, especialmente nas praias da linha, vai ter a haver com a exibição de adereços encontrados na via pública. Assim, numa espécie de antecipação, já existem fotografias de marmanjões, todos morenaços, de fio dental e, num toque de inegável classe, ostentando bonés de polícia. Uma delícia, dizem as meninas.

Vítor Constâncio deixou claro que não reconhece à comissão parlamentar autoridade para avaliar a capacidade de supervisão do seu banco. Em tom queixoso deixou escapar «se ainda fossem uns “especialistas” da Bela Vista…». As aspas (modéstia à parte) são da minha autoria.

O governo está prestes a assumir compromissos para a construção do TGV. No PSD ficou tudo histérico. O seu sonhado projecto de contrapor um moderno comboio Cama-Couve vai assim por água abaixo.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

HOUVE UM SALTO ESPECTACULAR


Há para todos os gostos. Refiro-me às análises das eleições de ontem. Não tendo nada a acrescentar às que já li e ouvi, meto por agora a viola no saco. Devo confessar que nesta matéria de votar muito raramente me oriento pela cor do partido. Sou daqueles que ponho as pessoas em primeiro lugar e, por esse motivo, na minha carteira de eleitos constam almas de esquerda, do centro e de direita. Penso que o pior que há para os governados é a “clubite” partidária. Torna-nos cegos. Para ser rigoroso, devo dizer que “no meu sistema” também já tenho enfiado barretes que, traduzidos em números, dariam para equipar um pequeno rancho folclórico. Com esta minha maneira de ser e ver as coisas devo informar que, a título de exemplo, nunca votaria ou votarei no eminente especialista em dar tiros nos próprios pés, Vital Moreira. O eminente jurista e atirador mostrou falta de carácter ao tentar colar o caso BPN ao PSD. Quem também nunca levará o meu voto é Pedro Passos Coelho do partido que ganhou as eleições. Aquela majestática aparição, a meio da campanha, apoiada num discurso cheio de veneno, inscreveu-o na longa lista dos chicos saloios da nossa politica.

Domingo, 7 de Junho de 2009

SE NÃO ME TRATO...


Não sei como é que um paroquiano experiente como como eu ainda fica excitado ao ver tanta rapidez. Não, não fui ver as corridas ao estádio do Dragão. Acabo é de ler que os ex-gestores do Banco Privado Português (BPP) serão interrogados em breve pelas autoridades. Esta malta ainda nos mata a todos com emoções tão fortes.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

SOMOS DIFERENTES, LÁ ISSO SOMOS.

Afinal, lá pelas terras de Sua Majestade, os governantes que recebiam indevidamente uns trocos do erário público estão a demitir-se do governo, deixando Gordon Brown com as calças na mão. Contrariamente ao que eu aqui previra em post do passado dia 12 de Maio, a “rapaziada”, apesar de “empurrada” pela opinião pública, ainda saiu pelo próprio pé. Por cá não temos esse tipo de tradição. Somos mais do tipo «só saio daqui morto, mas acompanhado de uma boa reforma vitalícia»….