Como já vos disse, quando estou mais em baixo gosto de dar uma vista de olhos pelos meus “clássicos”. Foi o caso de hoje. E assim cá estou eu a ler um clássico anónimo quando me deparo com esta citação: “Pessoas que gostam de cerveja sem álcool não gostam verdadeiramente de cerveja; elas apenas gostam de urinar”.
Lembrei-me então da minha mocidade, da Maianga, de Luanda e do jogo da “Estrelinha cai cai” que a seguir passo a explicar como se processava.
Três malandrecos na esquina do clube (o glorioso S.C.M.) e um “pato” já convencido a jogar o emocionante jogo. Puxávamos de um lenço e cada um pegava numa ponta, por altura da barriga, formando-se assim uma espécie de quadrado. Olhávamos para o ar e um de nós gritava “Estrelinha cai cai”. O “pato” estava convencido que alguma coisa ia cair no lenço esticado. Após breves instantes olhávamos para baixo e a meia voz dizíamos: “Não caiu”.
Repetíamos a cena. Entretanto um de nós já tinha aberto a braguilha e sacado o revólver… Mais uma vez: “Estrelinha cai cai”. Todos a olharem para cima. E é nesse entretanto que o do revólver, encoberto pelo lenço, mija para cima das calças e dos sapatos do “pato”. No momento seguinte, na esquina do glorioso, restava um tipo desconsolado, sozinho, com ar aparvalhado e molhado da cintura para baixo. Na outra esquina, a espreitar, três alarves a rir desalmadamente.
Por cá também jogo muito este jogo. Com os políticos. Faço sempre de pato.