João Pedro nasceu em Dezembro de 2004 e desde os seis meses que a família luta contra paralisia cerebral e a incapacidade de 80 por cento que o impede de levar «uma vida mais normal». A esperança de dias melhores está na obtenção de uma cadeira especial que irá permitir ao jovem com quatro anos crescer, estudar, utilizar o computador ou simplesmente sair de casa. A atribuição da cadeira de transporte e posicionamento é da competência do Estado, mas até hoje a burocracia e a falta de verbas da administração central ainda não permitiu que a urgência do caso fosse respeitada.
Sabes, João, o teu caso e o de muitos outros meninos, resolvidos com simplicidade e rapidez, encher-me-iam de orgulho do meu país, fazer-me-iam olhar para os nossos políticos com admiração e passaria a acreditar que éramos um verdadeiro país “da frente”, do primeiro mundo. Infelizmente, somos efectivamente um país “da frente” mas só nas aparências. Na verdade, se alguém nos riscar lá por cima, na leve camada de verniz que cobre o país, depressa descobrirá que somos um agregado de ilusões. Não me quero alongar muito mais, mas parece-me que o caminho a seguir para alcançares o que precisas não está nos eleitos mas no povo. Segue aquele velho trilho, já calcorreado por muitos e muitos aflitos e, através de um qualquer jornal ou televisão, faz um peditório nacional. É duro mas é mais prático do que ficares à espera de mais um parecer de um qualquer funcionário altamente qualificado, de mais uma entrevista com uma técnica altamente qualificada, ou de mais uma dotação orçamental.

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