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Tomo o café absorto em mil pensamentos. O velho rádio descai-se, em surdina, com uma antiga canção do velho Roberto Carlos. “O Rei”, sorrio com a evocação. Em tom muito magoado ouço-o, dirigindo-se à ingrata amada: «se aparecer outro cabeludo» …
Cabeludo! Como era bom voltarmos a ter gente genuína, de cabelo no peito. De antes quebrar que torcer. Agora só vejo pessoas de plástico. Acabo de tomar a bica. A telefonia debita o noticiário: «médicos querem que lei admita o recurso a “barrigas de aluguer”». Deve ser isso. Afinal não somos de plástico. Somos de aluguer. Alugamos tudo. Até a nossa consciência – se for preciso.
Cabeludo! Como era bom voltarmos a ter gente genuína, de cabelo no peito. De antes quebrar que torcer. Agora só vejo pessoas de plástico. Acabo de tomar a bica. A telefonia debita o noticiário: «médicos querem que lei admita o recurso a “barrigas de aluguer”». Deve ser isso. Afinal não somos de plástico. Somos de aluguer. Alugamos tudo. Até a nossa consciência – se for preciso.

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