
Talião era um código de justiça. De maus fígados. Aprovava a retaliação tipo dente por dente, olho por olho. Este código de conduta é muito mais apreciado pelos nossos partidos de oposição do que as práticas, mais consensuais, da beata Madre Teresa de Calcutá. Disso se queixou, por outras palavras, o ministro Luís Amado, no seu discurso de apresentação de programa do governo. Um belo discurso, no meu entender. Acusou toda a oposição de não querer dialogar com o governo neste período particularmente difícil. E perigoso, digo eu. Obviamente, esqueceu-se que, durante 4 anos, este mesmo governo entreteve-se a achincalhar a oposição no parlamento. Daí o talião. Não seria mau de todo, atendendo às necessidades do país que, pelo menos alguns opositores, mandassem o talião às vindimas e que, por sua vez, o governo vestisse um pudico hábito, mesmo que apertado e curto, e assumisse mea culpa pelo passado recente. Claro que isto é só nós a falarmos porque, na prática, se eles lessem isto, mandavam-me meter o talião, como se não bastasse, embrulhado no hábito, num sítio muito conhecido.

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